E-SIC (Serviço Eletrônico de Informação ao Cidadão)

A Cidade - Patrimônio Histórico

Apresentação

Nossa cidade tem na sua arquitetura, predominantemente, traços marcantes da cultura trazida pelos imigrantes italianos. Este povo, que aqui entregou-se à execução de vários ofícios, trouxe do velho continente a beleza e o arrojo das construções romanas e influências da arte grega. É possível ver em Guaxupé, algumas destas construções: o prédio do antigo Hotel Cobra (onde está instalado hoje o Teatro Municipal); o Palácio da Justiça (antigo Fórum da Comarca e atual Câmara Municipal); o prédio da Prefeitura; a fachada da Cadeia Pública; alguns casarões do início do séc. XX; algumas sedes de fazendas em estilo colonial; e tantas outras edificações de estilos neoclássicos.

Uma das mais interessantes, curiosas e intrigantes construções, e que chama a atenção dos guaxupeanos por estar localizada no coração da cidade, é o Palácio das Águias (fotos abaixo). Se trata de uma construção edificada na década de 1930 por seu proprietário, "Fito" – imigrante italiano de origem austríaca. O Palácio das Águias, apesar de estar em ruínas, ainda é objeto de muita curiosidade por parte da população, tanto pela arquitetura eclética que apresenta, quanto pelas lendas urbanas que surgiram a seu respeito.

Para resgatar todas essas histórias e deixá-las de legado para as futuras gerações, foi criado, em 1997, o Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Guaxupé. Desde então, o CDMPHC vem desenvolvendo uma política de tombamentos, inventários, registros, educação patrimonial, preservação e localização de fontes históricas, sempre buscando o resgate de nossa memória histórica. O objetivo principal do trabalho realizado pelo Conselho é reforçar nossa identidade cultural, para que ela seja melhor conhecida, conservada e divulgada.

Historiadores Inácio Abrantes e Marcos David

Atas Acesse
Leis e Decretos Acesse
Plano de Inventário do Município de Guaxupé Baixe o arquivo
ICMS Patrimônio Cultural ano 2017 - Exercício 2019 Baixe o arquivo
Palácio das Águias
O Palácio das Águias foi inventariado em 2007 pelo CDMPHC. Na foto à esquerda, ele se apresenta todo imponente, com suas características originais. Já na foto à direita, vemos o prédio já em ruínas.

Bens Tombados do Município de Guaxupé/MG

Prédio da Academia de Comércio São José (atual Escola Interativa e Fundação Educacional Prof. José Gonella) – Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.010, de 20 de março de 2002
Endereço: Rua Cel. Joaquim Costa, 183, Centro

Tel. 3551-7649 ou 3551- 2360

Em 19 de março de 1914, o prof. José Gonella fundou a Escola Noturna São José, que obteve apoio de várias personalidades da sociedade guaxupeana e dos políticos da região, e contava com uma grande quantidade de alunos. Em 1917, o prof. José Gonella, percebendo o alto índice de procura, decidiu promover a especialização dos cursos e pedir a oficialização dos mesmos perante o Governo Estadual. Foi então que a Escola Noturna São José se transformou na Academia de Comércio São José. Já com grandioso número de alunos, a Academia de Comércio funcionou temporariamente no prédio do Ginásio Diocesano São Luiz Gonzaga, até que em 1922 conseguiu sua própria sede (foto abaixo).

Percebe-se, portanto, que a Academia surgiu num contexto de crescimento educacional em nossa cidade, e que sua criação só foi possível graças ao empenho, ao idealismo e à dedicação do prof. José Gonella, que não mediu esforços para concretizar seus objetivos.

Um dos muitos cursos da Academia São José que se destacavam era a contabilidade. Muitas pessoas que ocuparam e ocupam lugares políticos e industriais, saíram desta, que foi a pioneira no Estado de Minas Gerais. Atualmente, também funciona no prédio a Escola Interativa, que oferece ensino fundamental e médio.

Antiga Loja Jacob Miguel Sabbag e Cia Ltda (atual Agência da Administração Fazendária de Guaxupé- SEF/MG) – Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.007, de 20 de março de 2002
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, 320, Centro

Tel. 3551-5122

Esta ampla e elegante edificação em estilo italiano, foi construída em 1924 a mando do imigrante sírio-libanês, Jacob Sabbag, para abrigar uma filial da firma Abrão Miguel & Cia, fundada em Guaxupé pela família Sabbag no ano de 1914. Alguns anos depois, dada a necessidade de ampliar os negócios da empresa, os sócios acordaram em transferir a sede da sociedade para São Paulo. A partir de então, esta firma apresentou invejável surto de progresso, tornando-se uma das mais prestigiadas importadoras paulistas.

A filial em Guaxupé, de responsabilidade de Jacob Sabbag e localizada agora no coração da cidade (na esquina da Av. Conde Ribeiro do Valle com a R. Pereira do Nascimento), também se consolidava cada vez mais como um importante estabelecimento comercial. Durante décadas, o armazém abasteceu todas as fazendas do município e da região com as mais variadas mercadorias: de sal a tecidos finos.

Na década de 1950, com o Brasil e o mundo passando por crises políticas e econômicas, a loja Jacob Miguel Sabbag e Cia Ltda teve que fechar suas portas. Era o fim de uma das mais bem-sucedidas casas comerciais de Guaxupé. O prédio, que por longo tempo foi sinônimo de prosperidade e que simbolizava a importância e a força do comércio em nossa cidade, ficou abandonado até 1982, quando foi adquirido pelo Governo de Minas Gerais. Em seguida, o edifício passou por uma ampla reforma para abrigar a agência bancária da Caixa Econômica de Minas Gerais (popularmente conhecida como Minas Caixa). Inaugurada em 1984, a agência da Minas Caixa funcionou ali até 1991, quando também fechou as portas. Mais uma vez, o prédio ficou abandonado. Até que, finalmente, em 1997, instalou-se ali a Agência da Administração Fazendária de Guaxupé, órgão ligado à Secretaria de Estado de Fazenda (SEF/MG).

Antiga Cadeia Pública Estadual – Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 973, de 04 de abril de 2001
Endereço: Rua Luiz Costa Monteiro, 89, Centro

Antiga construção do primeiro quartel do século XX, a fachada da antiga Cadeia Pública de Guaxupé é nitidamente um exemplo de arquitetura romana. Este edifício em dois pavimentos, foi concebido para receber presos no primeiro pavimento e o Fórum no segundo. O prédio, que serviu de Fórum e posteriormente de Cadeia Pública Estadual, encontrava-se em desuso e abandonado desde a construção do novo presídio. Sua fachada, assim como todo o seu interior, passaram por uma ampla intervenção – iniciada em 2010 e concluída em 01/03/2012 –, para que pudesse abrigar a nova sede da Delegacia de Polícia de Guaxupé.

Antiga Câmara Municipal (atual Museu Histórico e Geográfico Comendador Sebastião de Sá)- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 974, de 04 de abril de 2001
Endereço: Rua Cel. Antônio Costa, 55, Centro

Tel. 3559-1086

O prédio foi construído no início do século XX, e foi doado à municipalidade em 1912, para que fosse instalada aí a sede do governo municipal de Guaxupé. A doação foi feita por Joaquim Augusto Ribeiro do Valle e Antônio Costa Monteiro.

Em 1912, a Vila de Dores do Guaxupé foi desmembrada do município de Muzambinho e foi criado o município de Guaxupé. Foi então que em 01 de junho daquele ano, deu-se a instalação da Câmara Municipal na nossa cidade. Portanto, foi neste local que se instalou a primeira legislatura após a emancipação política do município, ocorrida, como vimos, em 01 de junho de 1912.

Quanto à arquitetura do prédio, observa-se o estilo românico, com destaque do revestimento em argamassa em várias espessuras; reproduzindo colunas e capitéis e cornijas, copiando a arquitetura dos prédios quando eram construídos de pedras.

A edificação sofreu um grande incêndio em 1945, sendo quase que destruída. O que restou foram somente as paredes, que foram reconstruídas com as características originais.

Até a década de 1970, funcionou no prédio o Poder Legislativo e Executivo. Depois da transferência dos dois poderes para outro local, o espaço foi utilizado como biblioteca até a década de 1980. Em 1997, passou a ser utilizado novamente como Câmara Municipal. Com a transferência, mais uma vez, da Câmara para outro lugar, em 18 de fevereiro de 2004, o prédio ficou em desuso. Até que, entre 2007 e 2008, passou por uma ampla reforma e foi adaptado para abrigar o MUSEU HISTÓRICO E GEOGRÁFICO “Comendador Sebastião de Sá”, de acordo com a Lei Municipal nº 1.626 de junho de 2004. A inauguração foi realizada no dia 18 de dezembro de 2008.

O bem sofreu várias intervenções ao longo do tempo, principalmente depois do incêndio que quase o destruiu em 1945. Na foto, vemos que o prédio já foi sede da Prefeitura Municipal.

Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Antiga Estação Ferroviária de Guaxupé (FEPASA/ Parque Municipal Mogiana) - Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 856, de 29 de julho de 1998
Endereço: Avenida Felipe Elias Zeitune, s/n, Centro

Tel.: 3559-1061 (Sec. de Saúde) ou 3559- 1096 (Sec. de Educação)

Em 15 de maio 1904, a Cia Mogiana de Estradas de Ferro inaugurou a Estação Ferroviária de Guaxupé, que foi fator primordial para o desenvolvimento da cidade e toda a região. A Mogiana era responsável pelo escoamento da produção cafeeira de boa parte do sudoeste mineiro. Os trens levavam o café e traziam levas e levas de imigrantes italianos, sírio-libaneses, entre outros, que muito contribuíram para o progresso de Guaxupé. Portanto, depois da chegada das estradas de ferro da Cia Mogiana em 1904, Guaxupé deu um salto de desenvolvimento, sendo, inclusive, chamada de “o Rio de Janeiro em ponto pequeno”. A Mogiana transportava o café daqui para Campinas; lá ele seguia na Sorocabana até o Porto de Santos, de onde era exportado para toda a Europa. Assim, a Cia Mogiana ligava Guaxupé ao resto do mundo.

Em 1971, a Cia Mogiana foi encampada pela FEPASA (Ferrovias Paulistas Sociedade Anônima). A FEPASA operou na cidade até 1978, quando o tráfego ferroviário em Guaxupé foi definitivamente desativado. E a partir de 1989, os trilhos deram lugar à Av. Felipe Elias Zeitune.

A revitalização e o uso institucional de alguns departamentos municipais na antiga Estação, é modelo para todo o Brasil de como ocupar espaços ferroviários urbanos abandonados pelo poder Público Federal. Além disso, também está em execução um ousado projeto arquitetônico e paisagismo: o Parque Municipal Mogiana. Através deste projeto, todo o Complexo FEPASA está sendo revitalizado para usufruto da população.

Palácio da Justiça (antigo Fórum da Comarca e atual Câmara Municipal de Guaxupé)- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 972, de 04 de abril de 2001
Endereço: Avenida Dr. João Carlos, 90, Centro

Tel. 3551- 7426

Antigo Fórum da Comarca de Guaxupé – Projeto arquitetônico neoclássico, construído no final da década de 1920 pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais para abrigar o Poder Judiciário. Foi inaugurado em 1928. Possui belíssimo pórtico com dez imponentes colunas greco-romanas encimadas por artísticos capitéis, constituindo um conjunto arquitetônico de inegável valor histórico. É um dos principais cartões-postais da cidade. O prédio é cercado por centanárias palmeiras reais, todas de elevado porte. O Palácio da Justiça foi desativado em 2007, com a transferência do Fórum para o novo prédio na Av. Anníbal Ribeiro do Valle. A partir de então, o antigo Fórum ficou abandonado e se deteriorando mês a mês. Até que a Prefeitura, entre 2010 e 2011, juntamente com a Câmara e o Conselho do Patrimônio Histórico, reformaram o edifício para receber as instalações do Poder Legislativo. A inauguração da nova sede da Câmara Municipal de Guaxupé ocorreu em dezembro de 2011.

Antigo Hotel Cobra (atual Teatro Municipal Arlete Souza Mendes) - Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 975, de 04 de abril de 2001
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, 113, Centro

Tel. 3559-1004 ou 3559-1081

O antigo Hotel Cobra, de propriedade do Sr. Agenor de Lima, foi inaugurado em 1923. Em estilo eclético, o prédio foi construído por mão de obra italiana. Sua fachada principal, neoclássica, é obra do artista italiano, Felício Genga, e do mestre de obras, Rafael Gesini. O Hotel Cobra era o mais bem aparelhado da cidade e região, e por mais de 65 anos de funcionamento, hospedou grandes personalidades: Maestro Villa-Lobos, o cantor Roberto Carlos, o ex-presidente do Brasil, JK, e tantas outras. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, soldados se abrigaram nele. Em 1988, o Hotel fechou as portas, e logo em seguida foi desapropriado pela Prefeitura. Ainda no final da década de 80, o edifício abrigou em suas dependências, vários departamentos públicos municipais, tais como: Dep. de Saúde, Dep. de Cultura, Vigilância Sanitária, etc. Todavia, em fins da década de 1990, o prédio estava desocupado e em péssimas condições. No início dos anos 2000, ele passou por uma ampla reforma para abrigar a Câmara no andar superior, e o Teatro Municipal, no térreo. O Foyer do Teatro foi inaugurado em 2005, restando ainda finalizar algumas obras no prédio. Finalmente, em dezembro de 2008, o antigo Hotel Cobra estava totalmente revitalizado, e o Teatro Municipal foi, então, inaugurado.

Em 2011, a Câmara Municipal transferiu-se para outro local, e o andar superior foi ocupado pelo gabinete do prefeito e por outros departamentos da Prefeitura.

Antiga Agência do Banco do Brasil (atual Prefeitura Municipal)- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 860, de 29 de setembro de 1998
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, 68, Centro

Tel. 3559-1001 ou 3559-1020

Os italianos construíram este prédio entre os anos de 1920 e 1923. Foi edificado para abrigar o Banco do Brasil, uma vez que era muito expressivo o volume de dinheiro advindo da cafeicultura. O prédio apresenta estilo romano com colunas encimadas por capitéis, lembrando o período renascentista. O edifício abriga a sede do Governo Municipal desde a década de 1970.

Antiga Agência do Banco do Brasil, inaugurada em 1923. Muitos guaxupeanos afirmam que esta foi uma das cem primeiras agências abertas no país. Em 1973, o BB inaugurou seu novo prédio, e sua antiga sede ficou fechada por dois anos. Até que em 1975, o edifício foi adquirido pela municipalidade e adaptado para abrigar a Prefeitura Municipal.

Herma Cel. Antônio Costa Monteiro – Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.009, de 20 de março de 2002
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, s/n, Centro

O Coronel Antônio Costa Monteiro foi um dos principais responsáveis pela emancipação política de Guaxupé, ocorrida em 01 de junho de 1912. Pela sua importância política, ele se tornou o primeiro presidente da Câmara Municipal, cargo que ocupou de 1912 a 1915. (Obs: Muitos populares se referem a ele como o primeiro prefeito da cidade, pois naquela época o presidente do Poder Legislativo exercia também a função de chefe do Poder Executivo. Somente a partir de 1930, é que os dois poderes tornaram-se independes, e aí surgiu o cargo de “prefeito”).

Mas antes de se tornar o primeiro presidente da Câmara Municipal de Guaxupé, o Cel. Antônio Costa Monteiro construiu sua carreira política em Muzambinho, onde exerceu mandatos como vereador, ocupando também a presidência da Câmara de lá. Vale lembrar que Guaxupé, nesta época, era ainda distrito de Muzambinho, e nossa cidade era então a “Vila Dores do Guaxupé”.

Em homenagem, foi erguida, em 1917, esta Herma, que é o mais antigo monumento urbano de Guaxupé. A Herma está localizada na Praça do Trabalhador Rural, no início da Avenida Conde Ribeiro do Valle. Nas proximidades do monumento, estão localizadas a Prefeitura Municipal, o Conjunto Paisagístico e Arquitetônico da FEPASA, o Antigo Hotel Cobra e o Monumento ao Trabalhador Rural – todos bens tombados pelo município. O monumento presta-se a visitações, pois trata-se de um personagem ilustre e histórico para os guaxupeanos.

Monumento ao Trabalhador Rural - O “Nicanor”- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.008, de 20 de março de 2002
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, s/n, Centro

O MONUMENTO EM HOMENAGEM AO TRABALHADOR RURAL foi inaugurado em 31 de dezembro de 1999. O Monumento está situado no “coração da cidade”, ou seja, na principal avenida da cidade, e é circundado por dois dos mais imponentes bens tombados pelo município: a Prefeitura e o Teatro Municipal. A estátua fundida em bronze artístico é obra do escultor mineiro de Congonhas, Luciomar Sebastião de Jesus, e representa o apanhador de café “Nicanor”, (apelido carinhoso que recebeu da população). Justa homenagem para com aqueles que, durante mais de 100 anos, produzem a principal riqueza do município: o café. Assim, o Monumento cumpre o papel de homenagear os trabalhadores do campo, que ajudaram e ainda ajudam no desenvolvimento do município. Ele simboliza a estreita ligação do homem rural com o homem da cidade.

Obelisco em Homenagem ao Expedicionário Guaxupeano da FEB- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.006, de 20 de março de 2002
Endereço: Praça Dr. Francisco Lessa, s/n, Centro

O Obelisco foi inaugurado em 07 de dezembro de 1947. Ele foi construído para homenagear os expedicionários guaxupeanos que se juntaram à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e lutaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) para livrar o mundo da ameaça nazifascista. É uma construção simples em sua concepção arquitetônica, mas de inestimável valor histórico e de gratidão do povo guaxupeano para com os “pracinhas” que foram para o front.

Catedral de Nossa Senhora das Dores- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.522, de 04 de setembro de 2012
Endereço: Praça Américo Costa, s/n, Centro

Tel.: 3551-0046

Em 1943, iniciam-se os trabalhos de demolição da antiga catedral para a construção da nova Catedral de Nossa Senhora das Dores. Portanto, o novo templo católico foi erguido no mesmo local onde havia a velha catedral da cidade. Foi escolhido o dia 15 de setembro de 1943, dia de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade, para o início das obras. No total, a construção da nova Catedral levou 17 anos, até sua sagração em 1960, realizada pelo Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi, e pelo bispo diocesano, Dom Inácio João Dal Monte. Todavia, foi de Dom Hugo Bressani de Araújo, antecessor de Dom Inácio, o grande sonho de se construir um templo católico de tamanhas proporções. Foi Dom Hugo que começou a transformar esse sonho em realidade. Ele montou comissões encarregadas de coletar doações para a construção da nova catedral, e dividiu a cidade em setores, de forma que cada comissão era responsável por um setor. Os fiéis, então, passavam de casa em casa angariando recursos para as obras da nova matriz. Dom Hugo arrecadava também junto aos fazendeiros e empresários, pertencentes ou não à Diocese de Guaxupé. Com muito esforço, a nova Catedral de Guaxupé foi sendo erguida por etapas, com ajuda da comunidade e até mesmo do poder público. Um fato histórico a ser mencionado aqui, foi a visita, em 02 de agosto de 1953, do ex-governador de Minas e ex-presidente da República, Juscelino Kubitschek, que veio conferir de perto as obras da nova Sé de Guaxupé.

Finalmente, em 1960, foi inaugurado em Guaxupé um dos maiores templos católicos do Brasil, considerado por muitos, na época, a terceira maior catedral do Brasil e a quinta maior da América Latina. Assim, a imponência da nova Catedral é motivo de orgulho para os guaxupeanos, que a transformaram no cartão-postal oficial de Guaxupé, parada obrigatória para todos aqueles que visitam a cidade. Não há quem chegue a Guaxupé e não se fascine com a majestosa e imponente Catedral de Nossa Senhora das Dores. Ela se tornou parada obrigatória dos turistas que aqui desembarcam, sendo o local mais fotografado da cidade. De todos os cantos da cidade, é possível apreciar a beleza deste templo católico. Hoje, ela ostenta toda sua beleza carregada de detalhes arquitetônicos e de seus simbolismos, ainda desconhecidos por boa parte dos guaxupeanos.

Casa de Pau-a-pique (antiga sede da Fazenda Bom Jardim dos Machados)- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1272, de 08 de dezembro de 2008
Endereço: Estrada Municipal Km 07- Bairro Rural Bom Jardim dos Machados

Tel. (35) 9127-8043

A antiga sede da Fazenda Bom Jardim dos Machados foi construída em 1882, conforme inscrição na parede da fachada principal da mesma. Esse imóvel é uma das poucas edificações centenárias ainda existentes na zona rural do município. Essa casa centenária, construída de pau-a-pique, é exemplo de técnica arquitetônica e construtiva dos oitocentos, e representa a saga dos pioneiros que aqui chegaram para desafiar a mata e plantar café nestas terras. Em outras palavras, a edificação nos remete ao início da colonização da região, notadamente aos tempos do Arraial Dores do Guaxupé. O imóvel sempre serviu de residência para a família Pereira e Rezende, e pela sua importância histórica, foi tombado em 2008 pelo Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Guaxupé.

Taça de 1928 – “PRIMEIRO JOGO INTERNACIONAL REALIZADO EM MINAS”- Bem móvel tombado pelo Decreto Municipal n. 855, de 29 de julho de 1998
Endereço: Museu Municipal – Rua Cel. Antônio Costa, 55, Centro (Tel.: 3559-1086)

Em 1928, a Associação Atlética de Guaxupé (AAG), jogando em casa, venceu o time do Penarõl do Uruguai por 2 x 1. Com a vitória, Guaxupé conquistou esta linda taça toda em prata. Foi o primeiro jogo internacional realizado em Minas Gerais. A Taça conquistada pela A.A.G em 1928, é um Bem Móvel muito apreciado pela população guaxupeana, que é apaixonada por futebol. Sua fruição se dá naturalmente. Atualmente, a Taça encontra-se exposta no salão principal do Museu Histórico e Geográfico Comendador Sebastião de Sá, e recebe visitas de muitos admiradores e curiosos.

A Taça se encontra exposta na Sala de Esportes do Museu Municipal, juntamente com outros troféus conquistados pelos jogadores guaxupeanos, demostrando assim, a força e a tradição do futebol em Guaxupé.

Imaginária de São Miguel Arcanjo - Bem móvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.521, de 04 de setembro de 2012
Endereço: Capela de São Miguel – Sítio São Miguel, Bairro Bebedouro, zona rural, Guaxupé/MG

Com suas características artísticas, a imaginária de São Miguel Arcanjo, trazida de navio da Itália pelo imigrante italiano João Stampone, na primeira metade do século XX, além de ser um marco histórico e cultural, enriquece sobremaneira a paisagem rural do município. Para abrigar a imagem, João Stampone mandou erguer uma capela em 1925. Segundo depoimentos da família Stampone, a Capela de São Miguel foi doada para a Paróquia de Nossa Senhora das Dores entre os anos de 1953 e 1955, a pedido do então pároco, Hermínio Malzone Hugo. Em troca, a paróquia ficaria responsável pela celebração de duas missas anuais, que aconteciam às 07:00 h.

Até o final da década de 1960, além das missas, eram realizados terços e novenas, ocasião na qual a comunidade se reunia para festejar e comemorar sua devoção a São Miguel Arcanjo.

Atualmente, porém, a capela pertence à Paróquia do Rosário, e, pelo menos uma vez por ano, geralmente no dia de São Miguel (29 de setembro), os fiéis se reúnem para reforçar sua devoção. Desta forma, a comunidade mantém viva sua tradição e pode legá-la para as gerações futuras.

A imaginária de São Miguel, portanto, fornece elementos para que possamos compreender um pouco mais da cultura dos imigrantes italianos, que vieram para o Brasil na primeira metade do século passado. Através desse patrimônio artístico, foi possível inserir a cidade de Guaxupé na rota da imigração italiana para o Brasil, bem como realizar um resgate histórico dos usos e costumes desses povos que vieram se somar ao povo brasileiro, influenciando, sobremaneira, a cultura do nosso país. Obs: A imaginária, assim como a capelinha onde ela está abrigada, passaram por uma restauração em 2013 e foram entregues para a comunidade, que já voltou a manifestar sua fé através deste bem religioso e histórico.

Bens Imateriais Registrados do Município de Guaxupé/MG

Exposição Nacional (ou Festa das Orquídeas) de Guaxupé – Bem Imaterial registrado pelo Decreto Municipal n. 1.584, de 24 de outubro de 2013
Endereço onde ela ocorre: Fundação Cultural de Guaxupé (Casa da Cultura)

Av. Felipe Elias Zeitune, 400, centro – Guaxupé/MG (Tel.: 3559-1052)

A tradicional Festa das Orquídeas de Guaxupé é uma exposição nacional de orquídeas e plantas ornamentais que ocorre anualmente no mês de julho. É realizada pelo Núcleo de Orquidófilos de Guaxupé, em parceria com a Prefeitura Municipal e com a Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil (CAOB). A Festa das Orquídeas de Guaxupé, portanto, se trata de uma das mais belas e autênticas celebrações que ocorre em nosso município há 62 anos ininterruptos. São mais de seis décadas de tradição e beleza, que enche de orgulho a população da nossa cidade. Uma história que começou com a criação do Núcleo de Orquidófilos em 1951 a partir do grande sonho do Dr. Alberto Carlos Pereira Filho (o popular Dr. Albertinho). Os orquidófilos guaxupeanos, com muita coragem e determinação e reunidos agora no Núcleo, realizaram a I Exposição Nacional de Orquídeas em 1953.

De 1953 em diante, o amor à orquidofilia tomou conta dos corações dos guaxupeanos, a ponto de Guaxupé, antes conhecida como “a terra das abelhas”, passasse a ser chamada de “a terra das orquídeas”.

Debruçando-se um pouco mais sobre a história da Festa das Orquídeas, podemos perceber que o evento atingiu seu auge na década de 1960, quando esbanjava todo o seu glamour. Como exemplo, podemos citar a edição de 1966, quando a Exposição Nacional de Orquídeas ainda era a festa mais esperada do ano, que engrandecia o comércio, trazia para Guaxupé turistas de várias partes do Brasil e até do estrangeiro, fazia desta cidade um ícone da orquidofilia nacional. Assim, a Festa das Orquídeas era muito além de uma simples exposição e premiação de flores. Era algo mágico, que movimentava a cidade e os seus moradores. A região jamais presenciou bailes tão grandiosos quanto aqueles ocorridos nos anos 60. A Esquadrilha da Fumaça enchia os olhos dos guaxupeanos com suas apresentações. Além disso, tinha a colorida presença das fantasias premiadas do famoso carnaval carioca.

Depois de ter atingido seu ápice na década de 1960, a Festa das Orquídeas começou a perder seu prestígio, chegando ao ponto de quase se extinguir no final da década de 1990, com um triste esvaziamento e uma grande dificuldade de envolver e seduzir as novas gerações. Foi necessário que o Núcleo de Orquidófilos de Guaxupé estabelecesse um convênio com a Prefeitura Municipal para que a festa não acabasse. Desde então, o executivo municipal, através de uma subvenção, repassa recursos ao Núcleo para auxiliar na realização da exposição. Segundo os próprios integrantes desta entidade, não fosse a ajuda do poder público, o evento teria se extinguido.

Cabe aqui destacar que, mesmo diante de muitos obstáculos, os orquidófilos guaxupeanos nunca deixaram de realizar a Exposição Nacional de Orquídeas, que ocorre há 62 anos ininterruptos. Um feito histórico que coloca o certame entre os mais antigos e importantes do país, ocupando inclusive, o 2o lugar no ranking de 2013 das melhores exposições nacionais de orquídeas. Rankig este realizado pela CAOB.