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A Cidade - Patrimônio Histórico

Guaxupé e a sua política municipal de proteção ao patrimônio cultural

A primeira legislação municipal que estabelecia a proteção do patrimônio histórico e cultural de Guaxupé surgiu em 1997: trata-se da Lei nº. 1.383 e do Decreto nº 837. A referida lei autorizou o poder executivo a instituir o Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Guaxupé (CDMPHC), o que foi cumprido através do decreto citado.

A criação do CDMPHC se deu na esteira do exitoso processo de municipalização das políticas de proteção ao patrimônio cultural, ocorrido no estado de Minas Gerais há 25 anos. A trajetória do Conselho foi marcada por duras lutas em defesa dos bens culturais do município. Ao longo dos anos, foram importantes vitórias, mas também algumas perdas irreparáveis.

O CDMPHC – por meio de sua equipe técnica e sempre em conformidade com as orientações técnicas disponibilizadas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) – tem a função de realizar processos de tombamentos e de registros; inventários de bens materiais ou imateriais; e programas de educação patrimonial. O objetivo é impedir a demolição ou a descaracterização de bens culturais de natureza material, e valorizar e salvaguardar os de natureza imaterial. O fruto desse trabalho de promoção, preservação, manutenção e conservação do patrimônio cultural de Guaxupé pode ser contemplado ao andarmos pela cidade.

Ao todo, Guaxupé já conseguiu tombar 13 bens imóveis, 02 bens móveis, 01 Conjunto Arquitetônico e 01 Conjunto Arquitetônico e Paisagístico. Conseguiu ainda inventariar dezenas de imóveis, registrar 01 bem imaterial e implementar vários projetos de educação patrimonial.

Todo o trabalho realizado pelos técnicos do Conselho é encaminhado anualmente ao IEPHA, e resulta em repasses financeiros ao município por meio da Fundação João Pinheiro, de acordo com a pontuação recebida. O montante varia de acordo com a arrecadação do ICMS pelo governo do estado de Minas Gerais, em conformidade com a Lei Estadual 18.030/2009 (conhecida como Lei Robin Hood). Essa lei estabelece que, para o repasse dos recursos advindos do Critério do Patrimônio Cultural, os municípios devem comprovar que realizam ações de preservação do seu patrimônio cultural. Assim, esses entes federados são induzidos a estruturar um sistema local de gestão dos bens patrimoniais. Essa descentralização da gestão adotada em Minas Gerais é reconhecida nacionalmente como uma das políticas pioneiras e eficazes de municipalização da proteção do patrimônio cultural.

Confira abaixo a pontuação do município desde o exercício de 1999:

No exercício 2021 o município conseguiu a sua maior pontuação até o momento no ICMS Patrimônio Cultural: 17,20.

Além da Lei nº. 1.383/97, outras leis municipais de proteção ao patrimônio cultural de Guaxupé foram surgindo ao longo desses 23 anos de existência e atuação do CDMPHC. Em 2004, a Lei Orgânica do município foi revisada. No seu art. 11, lemos que “observando o interesse local e a legislação aplicável em cada caso, compete ao Município atuar materialmente para: (…) XXV – promover o tombamento ou qualquer outra forma de proteção aos bens julgados relevantes ao patrimônio histórico ou cultural do Município”.

Em 2005, através da Lei nº 1.672, foi criado o Fundo Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Guaxupé (FUNPATRI), “instrumento de captação e aplicação de recursos, que tem por objetivo proporcionar meios para o financiamento e custeio das ações na área do patrimônio histórico e cultural, sob orientação e controle do (…) CDMPHC”.

Em 2006, surgiram duas importantes leis: a lei nº 1.728 e a lei nº 1.729. A primeira institui o dia 30 de junho como o “Dia do Patrimônio Histórico de Guaxupé”, enquanto a segunda criou a Comenda José Ribeiro do Valle (Dr. Juquita), “para agraciar àqueles que têm contribuído de maneira relevante para com a memória histórica do Município”. Consta ainda na referida lei que a Comenda será conferida anualmente pelo prefeito, devendo ser entregue no dia 30 de junho de cada ano por ocasião do “Dia do Patrimônio Histórico de Guaxupé”. Junto com a Comenda José Ribeiro do Valle também são entregues moções de aplauso aos proprietários que zelam pela conservação dos imóveis detentores de valor histórico, cultural ou arquitetônico. Seguem abaixo algumas fotografias da solenidade de entrega da Comenda “Dr. Juquita” (como ficou popularmente conhecida).

Em 2012, para atender às exigências técnicas do IEPHA, a Lei Municipal nº 1.383/97 foi alterada pela Lei nº 2.166, que dividiu o Livro do Tombo em quatro partes, bem como instituiu o Livro do Registro Municipal, igualmente dividido em quatro partes e onde serão inscritos os bens de natureza imaterial. Dessa forma, o município passou a ter o Livro do Tombo Histórico, onde serão inscritos os bens culturais de arte histórica; o Livro do Tombo das Belas Artes, onde serão inscritos os bens de arte erudita; o Livro do Tombo das Artes Aplicadas, onde serão inscritos os bens culturais das artes aplicadas; o Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, onde serão inscritos os bens culturais pertencentes às categorias de arte arqueológica, etnográfica, ameríndia e popular; o Livro de Registro dos Saberes, para a inscrição de conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades; o Livro de Registro das Celebrações, para a inscrição dos rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; o Livro de Registro das Formas de Expressão, para a inscrição das manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; e, por fim, o Livro de Registro dos Lugares, destinado à inscrição de mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas.

Finalmente, em 26 de novembro de 2019, foram publicadas duas leis de grande relevância para o município e que também estabelecem a proteção ao patrimônio histórico e cultural de Guaxupé em vários dos seus artigos: trata-se da Lei Complementar nº 009, que alterou o Plano Diretor Municipal (PDM) – com destaque para o art. 57 e os seus 14 incisos –, e a Lei Complementar nº 014, que alterou o Código de Obras e Edificações do Município.

Todavia, é necessário ressaltar que, em que pese todo esse arcabouço legal, a proteção aos bens culturais de Guaxupé ainda requer estrita vigilância, haja vista os constantes desafios enfrentados atualmente pelo CDMPHC. Entre eles, podemos destacar a forte pressão do setor imobiliário sobre os bens culturais – localizados, principalmente, no centro comercial da cidade – e a tendência à verticalização urbana.

Frequentemente, pedidos de demolição chegam à sede do Conselho. Na maioria das vezes, trata-se de imóveis que constam ou no Plano de Inventário de Proteção ao Acervo Cultural de Guaxupé, ou que já são inventariados pelo município ou ainda que estejam localizados no entorno de algum dos bens tombados.

A seguir, fotos da solenidade de entrega da Comenda “Dr. Juquita”. Cabe lembrar que a primeira edição do evento ocorreu em 2006, e a segunda edição só foi ocorrer quase uma década depois, em 2015. Desde então, o evento tem sido realizado anualmente. Cabe destacar também que, excepcionalmente, a cerimônia de entrega da Comenda – edição 2020 foi cancelada devido à pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19).

Leis e Decretos Acesse
Plano de Inventário do Município de Guaxupé Baixe o arquivo
Bens Inventariados do Município de Guaxupé Baixe o arquivo
ICMS Patrimônio Cultural ano 2017 - Exercício 2019 Baixe o arquivo

O Patrimônio Material de Guaxupé

Bens Tombados do Município

Conjunto Arquitetônico Palácio das Águias/Casa dos Elefantes – tombado pelo Decreto Municipal n. 2004, de 06 de agosto de 2018

O Palácio das Águias e a Casa dos Elefantes, ambos localizados na Rua Pereira do Nascimento, foram construídos pelo imigrante italiano de origem austríaca, José Puntel (conhecido como “Fito” ou “Fitti”). O seu pai, também chamado José Puntel, era um importante construtor italiano, e desembarcou em São Paulo no final do século XIX juntamente com a esposa, Úrsula Puntel, e com seis dos seus sete filhos: Úrsula, Maria Luigia, José Fitti [o construtor do Palácio das Águias e da Casa dos Elefantes], Celeste, Basílio, Oswaldo. O filho mais velho, Luiz Puntel, veio mais tarde encontrá-los, quando eles já residiam em Guaxupé. A vinda da família Puntel para Guaxupé deu-se após uma proposta de trabalho oferecida a José Puntel [o pai] pelo Conde Ribeiro do Valle.

José Fitti era especialista na arte de plasmar no gesso e na argamassa, e usou de toda sua sabedoria para criar as esculturas do Palácio das Águias, erguido em 1914. Ele construiu o imóvel para servir de residência para sua família.

Atualmente, o conjunto arquitetônico do Palácio está em ruínas, e conta com cômodos dispostos de uma forma pouco convencional, pois se apresentam quase como um labirinto. No imaginário popular, existem ali várias passagens e saídas secretas, além de outras peculiaridades passíveis de serem percebidas apenas lá. Muitos populares afirmam que existem túneis ligando o Palácio das Águias à antiga Estação Ferroviária de Guaxupé (FEPASA), pois, como os imigrantes italianos começaram a sofrer perseguições depois que o Brasil declarou guerra ao Eixo durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), estes túneis seriam uma rota de fuga da família Puntel, caso eles precisassem abandonar a cidade às pressas. Outros guaxupeanos dizem que também existem túneis ligando o Palácio das Águias à cripta da Catedral de Nossa Senhora das Dores, onde estão sepultados alguns bispos de Guaxupé.

Assim, ao longo das décadas, surgiram muitas lendas urbanas a respeito do Palácio. Carregado de figuras quiméricas ou grotescas, como gárgulas, medusas, estátuas humanas, leões alados, águias alçando voo e outras referências da cultura medieval, o edifício foi encarado pela população como um local “mal assombrado, construído por um entusiasta do fascismo que possuía 3 filhos: Hitler, Franco e Mussolini, todos loucos”. Reza a lenda que o pai era muito austero e tratava os filhos com bastante rigidez.

Esta história de que o Palácio das Águias é um lugar assustador e macabro se fortaleceu no imaginário popular porque, entre outros fatores, o construtor do imóvel, José Puntel, era também construtor de sepulturas. Entretanto, segundo os Puntel, muitas das histórias que a população conhece a respeito deles e do Palácio não são verdadeiras. De acordo com depoimentos de integrantes da família, o arquiteto italiano de origem austríaca, conhecido como “Fito”, teve vários filhos. De seu casamento com Marieta David, realizado em São Paulo no dia 14 de agosto de 1948, deixou: Homero, Sócrates, Orlando, Aurora e José Puntel Filho. De seu segundo casamento com Maria Trankis, deixou: Iolanda, Luzia, Adne, Marioni, Mussolini, Hitler e Maria.

Segundo Luciano Puntel, neto do “Fito”, apenas um dos filhos do avô, o Mussolini, teve problemas mentais, por uma fatalidade: “ele sofreu um acidente aos 6 anos de idade, quando caiu de uma das torres do Palácio das Águias e ficou com graves sequelas no cérebro. Este desagradável incidente com Mussolini acabou resultando na construção de vários mitos em torno do Palácio. Luciano diz ainda que seu avô “era sim fascista, e tinha uma personalidade rígida, mas nada que se possa definir como um pai que torturava os filhos”. Vários integrantes da família Puntel são categóricos em afirmar que “Fito” nunca maltratou nenhum de seus filhos, como dizem alguns populares. Desta forma, os Puntel tentam desconstruir os mitos e as lendas urbanas envolvendo o Palácio das Águias que permeiam o imaginário popular.

O bem cultural perdeu algumas de suas características originais devido à ação degradante do tempo, e devido às reformas e adaptações aos vários usos sequenciais a que foi submetido. Mesmo assim, o prédio se destaca dentro da arquitetura de Guaxupé, como obra de artista original e como exemplo da tendência estilística colocada pelo ecletismo.

Todavia, sua importância extrapola o âmbito local, e ainda hoje as suas ruínas adubam a imaginação de muitos técnicos e leigos curiosos, que transmitem às novas gerações as várias lendas urbanas surgidas a seu respeito. Foi o que ocorreu, por exemplo, em abril de 2011, quando o Palácio das Águias foi utilizado como cenário para a realização de parte das filmagens do longa-metragem, "Quimera sobre Ópio e Pandora", concebido por Flávio Citton, e aprovado e patrocinado pelo Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Uberlândia-MG. A direção de arte e produção contaram com a assinatura de Castor e Luana Magrela. Flávia Amaro, formada em Ciências Sociais e que acompanhou o grupo, fotografou o local e publicou no seu blog (https://flaviamaro.wordpress.com/2010/06/14/palacio-das-aguias-guaxupe-mg/). Dessa forma, os mistérios acerca do Palácio das Águias repercutiram nacionalmente.

Casa dos Elefantes

Já a Casa dos Elefantes foi construída em 1931. O bem destaca-se por sua fachada extremamente decorada e elementos escultórios de fatura original e aprimorada, tais como janela movimentada e colorida; consoles de suporte e sacada em forma de cabeças de elefantes; decoração naturalística e, ao mesmo tempo, classicizante. Os detalhes construtivos sobressaem-se sobre qualquer rigor ou racionalismo de planejamento.

O prédio passou por uma ampla reforma entre 2015 e 2017. A parte superior serve de uso residencial, enquanto que o piso térreo é alugado para fins comerciais.

Desde o final década de 1980 falava-se na importância de tombar o conjunto arquitetônico Palácio das Águias/Casa dos Elefantes, por se tratar de dois imóveis de grande referência para os moradores da cidade, que muito admiram não só as suas características arquitetônicas, como também as histórias que são contadas sobre eles. Assim, as duas edificações são objeto de curiosidade pela originalidade da sua arquitetura eclética, onde o tratamento aprimorado denota alta criatividade artesanal de seu construtor.

Prédio da Academia de Comércio São José (atual Escola Interativa e Fundação Educacional Prof. José Gonella) – Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.010, de 20 de março de 2002
Endereço: Rua Cel. Joaquim Costa, 183, Centro

Tel. 3551-7649 ou 3551- 2360

Em 19 de março de 1914, o prof. José Gonella fundou a Escola Noturna São José, que obteve apoio de várias personalidades da sociedade guaxupeana e dos políticos da região, e contava com uma grande quantidade de alunos. Em 1917, o prof. José Gonella, percebendo o alto índice de procura, decidiu promover a especialização dos cursos e pedir a oficialização dos mesmos perante o Governo Estadual. Foi então que a Escola Noturna São José se transformou na Academia de Comércio São José. Já com grandioso número de alunos, a Academia de Comércio funcionou temporariamente no prédio do Ginásio Diocesano São Luiz Gonzaga, até que em 1922 conseguiu sua própria sede (foto abaixo).

Percebe-se, portanto, que a Academia surgiu num contexto de crescimento educacional em nossa cidade, e que sua criação só foi possível graças ao empenho, ao idealismo e à dedicação do prof. José Gonella, que não mediu esforços para concretizar seus objetivos.

Um dos muitos cursos da Academia São José que se destacavam era a contabilidade. Muitas pessoas que ocuparam e ocupam lugares políticos e industriais, saíram desta, que foi a pioneira no Estado de Minas Gerais. Atualmente, também funciona no prédio a Escola Interativa, que oferece ensino fundamental e médio.

Antiga Loja Jacob Miguel Sabbag e Cia Ltda (atual Agência da Administração Fazendária de Guaxupé- SEF/MG) – Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.007, de 20 de março de 2002
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, 320, Centro

Tel. 3551-5122

Esta ampla e elegante edificação em estilo italiano, foi construída em 1924 a mando do imigrante sírio-libanês, Jacob Sabbag, para abrigar uma filial da firma Abrão Miguel & Cia, fundada em Guaxupé pela família Sabbag no ano de 1914. Alguns anos depois, dada a necessidade de ampliar os negócios da empresa, os sócios acordaram em transferir a sede da sociedade para São Paulo. A partir de então, esta firma apresentou invejável surto de progresso, tornando-se uma das mais prestigiadas importadoras paulistas.

A filial em Guaxupé, de responsabilidade de Jacob Sabbag e localizada agora no coração da cidade (na esquina da Av. Conde Ribeiro do Valle com a R. Pereira do Nascimento), também se consolidava cada vez mais como um importante estabelecimento comercial. Durante décadas, o armazém abasteceu todas as fazendas do município e da região com as mais variadas mercadorias: de sal a tecidos finos.

Na década de 1950, com o Brasil e o mundo passando por crises políticas e econômicas, a loja Jacob Miguel Sabbag e Cia Ltda teve que fechar suas portas. Era o fim de uma das mais bem-sucedidas casas comerciais de Guaxupé. O prédio, que por longo tempo foi sinônimo de prosperidade e que simbolizava a importância e a força do comércio em nossa cidade, ficou abandonado até 1982, quando foi adquirido pelo Governo de Minas Gerais. Em seguida, o edifício passou por uma ampla reforma para abrigar a agência bancária da Caixa Econômica de Minas Gerais (popularmente conhecida como Minas Caixa). Inaugurada em 1984, a agência da Minas Caixa funcionou ali até 1991, quando também fechou as portas. Mais uma vez, o prédio ficou abandonado. Até que, finalmente, em 1997, instalou-se ali a Agência da Administração Fazendária de Guaxupé, órgão ligado à Secretaria de Estado de Fazenda (SEF/MG).

Antiga Cadeia Pública Estadual – Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 973, de 04 de abril de 2001
Endereço: Rua Luiz Costa Monteiro, 89, Centro

Antiga construção do primeiro quartel do século XX, a fachada da antiga Cadeia Pública de Guaxupé é nitidamente um exemplo de arquitetura romana. Este edifício em dois pavimentos, foi concebido para receber presos no primeiro pavimento e o Fórum no segundo. O prédio, que serviu de Fórum e posteriormente de Cadeia Pública Estadual, encontrava-se em desuso e abandonado desde a construção do novo presídio. Sua fachada, assim como todo o seu interior, passaram por uma ampla intervenção – iniciada em 2010 e concluída em 01/03/2012 –, para que pudesse abrigar a nova sede da Delegacia de Polícia de Guaxupé.

Antiga Câmara Municipal (atual Museu Histórico e Geográfico Comendador Sebastião de Sá)- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 974, de 04 de abril de 2001
Endereço: Rua Cel. Antônio Costa, 55, Centro

Tel. 3559-1086

O prédio foi construído no início do século XX, e foi doado à municipalidade em 1912, para que fosse instalada aí a sede do governo municipal de Guaxupé. A doação foi feita por Joaquim Augusto Ribeiro do Valle e Antônio Costa Monteiro.

Em 1912, a Vila de Dores do Guaxupé foi desmembrada do município de Muzambinho e foi criado o município de Guaxupé. Foi então que em 01 de junho daquele ano, deu-se a instalação da Câmara Municipal na nossa cidade. Portanto, foi neste local que se instalou a primeira legislatura após a emancipação política do município, ocorrida, como vimos, em 01 de junho de 1912.

Quanto à arquitetura do prédio, observa-se o estilo românico, com destaque do revestimento em argamassa em várias espessuras; reproduzindo colunas e capitéis e cornijas, copiando a arquitetura dos prédios quando eram construídos de pedras.

A edificação sofreu um grande incêndio em 1945, sendo quase que destruída. O que restou foram somente as paredes, que foram reconstruídas com as características originais.

Até a década de 1970, funcionou no prédio o Poder Legislativo e Executivo. Depois da transferência dos dois poderes para outro local, o espaço foi utilizado como biblioteca até a década de 1980. Em 1997, passou a ser utilizado novamente como Câmara Municipal. Com a transferência, mais uma vez, da Câmara para outro lugar, em 18 de fevereiro de 2004, o prédio ficou em desuso. Até que, entre 2007 e 2008, passou por uma ampla reforma e foi adaptado para abrigar o MUSEU HISTÓRICO E GEOGRÁFICO “Comendador Sebastião de Sá”, de acordo com a Lei Municipal nº 1.626 de junho de 2004. A inauguração foi realizada no dia 18 de dezembro de 2008.

O bem sofreu várias intervenções ao longo do tempo, principalmente depois do incêndio que quase o destruiu em 1945. Na foto, vemos que o prédio já foi sede da Prefeitura Municipal.

Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Antiga Estação Ferroviária de Guaxupé (FEPASA/ Parque Municipal Mogiana) - Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 856, de 29 de julho de 1998
Endereço: Avenida Felipe Elias Zeitune, s/n, Centro

Tel.: 3559-1061 (Sec. de Saúde) ou 3559- 1096 (Sec. de Educação)

Em 15 de maio 1904, a Cia Mogiana de Estradas de Ferro inaugurou a Estação Ferroviária de Guaxupé, que foi fator primordial para o desenvolvimento da cidade e toda a região. A Mogiana era responsável pelo escoamento da produção cafeeira de boa parte do sudoeste mineiro. Os trens levavam o café e traziam levas e levas de imigrantes italianos, sírio-libaneses, entre outros, que muito contribuíram para o progresso de Guaxupé. Portanto, depois da chegada das estradas de ferro da Cia Mogiana em 1904, Guaxupé deu um salto de desenvolvimento, sendo, inclusive, chamada de “o Rio de Janeiro em ponto pequeno”. A Mogiana transportava o café daqui para Campinas; lá ele seguia na Sorocabana até o Porto de Santos, de onde era exportado para toda a Europa. Assim, a Cia Mogiana ligava Guaxupé ao resto do mundo.

Em 1971, a Cia Mogiana foi encampada pela FEPASA (Ferrovias Paulistas Sociedade Anônima). A FEPASA operou na cidade até 1978, quando o tráfego ferroviário em Guaxupé foi definitivamente desativado. E a partir de 1989, os trilhos deram lugar à Av. Felipe Elias Zeitune.

A revitalização e o uso institucional de alguns departamentos municipais na antiga Estação, é modelo para todo o Brasil de como ocupar espaços ferroviários urbanos abandonados pelo poder Público Federal. Além disso, também está em execução um ousado projeto arquitetônico e paisagismo: o Parque Municipal Mogiana. Através deste projeto, todo o Complexo FEPASA está sendo revitalizado para usufruto da população.

Palácio da Justiça (antigo Fórum da Comarca e atual Câmara Municipal de Guaxupé)- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 972, de 04 de abril de 2001
Endereço: Avenida Dr. João Carlos, 90, Centro

Tel. 3551- 7426

Antigo Fórum da Comarca de Guaxupé – Projeto arquitetônico neoclássico, construído no final da década de 1920 pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais para abrigar o Poder Judiciário. Foi inaugurado em 1928. Possui belíssimo pórtico com dez imponentes colunas greco-romanas encimadas por artísticos capitéis, constituindo um conjunto arquitetônico de inegável valor histórico. É um dos principais cartões-postais da cidade. O prédio é cercado por centanárias palmeiras reais, todas de elevado porte. O Palácio da Justiça foi desativado em 2007, com a transferência do Fórum para o novo prédio na Av. Anníbal Ribeiro do Valle. A partir de então, o antigo Fórum ficou abandonado e se deteriorando mês a mês. Até que a Prefeitura, entre 2010 e 2011, juntamente com a Câmara e o Conselho do Patrimônio Histórico, reformaram o edifício para receber as instalações do Poder Legislativo. A inauguração da nova sede da Câmara Municipal de Guaxupé ocorreu em dezembro de 2011.

Antigo Hotel Cobra (atual Teatro Municipal Arlete Souza Mendes) - Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 975, de 04 de abril de 2001
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, 113, Centro

Tel. 3559-1004 ou 3559-1081

O antigo Hotel Cobra, de propriedade do Sr. Agenor de Lima, foi inaugurado em 1923. Em estilo eclético, o prédio foi construído por mão de obra italiana. Sua fachada principal, neoclássica, é obra do artista italiano, Felício Genga, e do mestre de obras, Rafael Gesini. O Hotel Cobra era o mais bem aparelhado da cidade e região, e por mais de 65 anos de funcionamento, hospedou grandes personalidades: Maestro Villa-Lobos, o cantor Roberto Carlos, o ex-presidente do Brasil, JK, e tantas outras. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, soldados se abrigaram nele. Em 1988, o Hotel fechou as portas, e logo em seguida foi desapropriado pela Prefeitura. Ainda no final da década de 80, o edifício abrigou em suas dependências, vários departamentos públicos municipais, tais como: Dep. de Saúde, Dep. de Cultura, Vigilância Sanitária, etc. Todavia, em fins da década de 1990, o prédio estava desocupado e em péssimas condições. No início dos anos 2000, ele passou por uma ampla reforma para abrigar a Câmara no andar superior, e o Teatro Municipal, no térreo. O Foyer do Teatro foi inaugurado em 2005, restando ainda finalizar algumas obras no prédio. Finalmente, em dezembro de 2008, o antigo Hotel Cobra estava totalmente revitalizado, e o Teatro Municipal foi, então, inaugurado.

Em 2011, a Câmara Municipal transferiu-se para outro local, e o andar superior foi ocupado pelo gabinete do prefeito e por outros departamentos da Prefeitura.

Antiga Agência do Banco do Brasil (atual Prefeitura Municipal)- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 860, de 29 de setembro de 1998
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, 68, Centro

Tel. 3559-1001 ou 3559-1020

Os italianos construíram este prédio entre os anos de 1920 e 1923. Foi edificado para abrigar o Banco do Brasil, uma vez que era muito expressivo o volume de dinheiro advindo da cafeicultura. O prédio apresenta estilo romano com colunas encimadas por capitéis, lembrando o período renascentista. O edifício abriga a sede do Governo Municipal desde a década de 1970.

Antiga Agência do Banco do Brasil, inaugurada em 1923. Muitos guaxupeanos afirmam que esta foi uma das cem primeiras agências abertas no país. Em 1973, o BB inaugurou seu novo prédio, e sua antiga sede ficou fechada por dois anos. Até que em 1975, o edifício foi adquirido pela municipalidade e adaptado para abrigar a Prefeitura Municipal.

Herma Cel. Antônio Costa Monteiro – Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.009, de 20 de março de 2002
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, s/n, Centro

O Coronel Antônio Costa Monteiro foi um dos principais responsáveis pela emancipação política de Guaxupé, ocorrida em 01 de junho de 1912. Pela sua importância política, ele se tornou o primeiro presidente da Câmara Municipal, cargo que ocupou de 1912 a 1915. (Obs: Muitos populares se referem a ele como o primeiro prefeito da cidade, pois naquela época o presidente do Poder Legislativo exercia também a função de chefe do Poder Executivo. Somente a partir de 1930, é que os dois poderes tornaram-se independes, e aí surgiu o cargo de “prefeito”).

Mas antes de se tornar o primeiro presidente da Câmara Municipal de Guaxupé, o Cel. Antônio Costa Monteiro construiu sua carreira política em Muzambinho, onde exerceu mandatos como vereador, ocupando também a presidência da Câmara de lá. Vale lembrar que Guaxupé, nesta época, era ainda distrito de Muzambinho, e nossa cidade era então a “Vila Dores do Guaxupé”.

Em homenagem, foi erguida, em 1917, esta Herma, que é o mais antigo monumento urbano de Guaxupé. A Herma está localizada na Praça do Trabalhador Rural, no início da Avenida Conde Ribeiro do Valle. Nas proximidades do monumento, estão localizadas a Prefeitura Municipal, o Conjunto Paisagístico e Arquitetônico da FEPASA, o Antigo Hotel Cobra e o Monumento ao Trabalhador Rural – todos bens tombados pelo município. O monumento presta-se a visitações, pois trata-se de um personagem ilustre e histórico para os guaxupeanos.

Monumento ao Trabalhador Rural - O “Nicanor”- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.008, de 20 de março de 2002
Endereço: Avenida Conde Ribeiro do Valle, s/n, Centro

O MONUMENTO EM HOMENAGEM AO TRABALHADOR RURAL foi inaugurado em 31 de dezembro de 1999. O Monumento está situado no “coração da cidade”, ou seja, na principal avenida da cidade, e é circundado por dois dos mais imponentes bens tombados pelo município: a Prefeitura e o Teatro Municipal. A estátua fundida em bronze artístico é obra do escultor mineiro de Congonhas, Luciomar Sebastião de Jesus, e representa o apanhador de café “Nicanor”, (apelido carinhoso que recebeu da população). Justa homenagem para com aqueles que, durante mais de 100 anos, produzem a principal riqueza do município: o café. Assim, o Monumento cumpre o papel de homenagear os trabalhadores do campo, que ajudaram e ainda ajudam no desenvolvimento do município. Ele simboliza a estreita ligação do homem rural com o homem da cidade.

Obelisco em Homenagem ao Expedicionário Guaxupeano da FEB- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.006, de 20 de março de 2002
Endereço: Praça Dr. Francisco Lessa, s/n, Centro

O Obelisco foi inaugurado em 07 de dezembro de 1947. Ele foi construído para homenagear os expedicionários guaxupeanos que se juntaram à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e lutaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) para livrar o mundo da ameaça nazifascista. É uma construção simples em sua concepção arquitetônica, mas de inestimável valor histórico e de gratidão do povo guaxupeano para com os “pracinhas” que foram para o front.

Catedral de Nossa Senhora das Dores- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.522, de 04 de setembro de 2012
Endereço: Praça Américo Costa, s/n, Centro

Tel.: 3551-0046

Em 1943, iniciam-se os trabalhos de demolição da antiga catedral para a construção da nova Catedral de Nossa Senhora das Dores. Portanto, o novo templo católico foi erguido no mesmo local onde havia a velha catedral da cidade. Foi escolhido o dia 15 de setembro de 1943, dia de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade, para o início das obras. No total, a construção da nova Catedral levou 17 anos, até sua sagração em 1960, realizada pelo Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi, e pelo bispo diocesano, Dom Inácio João Dal Monte. Todavia, foi de Dom Hugo Bressani de Araújo, antecessor de Dom Inácio, o grande sonho de se construir um templo católico de tamanhas proporções. Foi Dom Hugo que começou a transformar esse sonho em realidade. Ele montou comissões encarregadas de coletar doações para a construção da nova catedral, e dividiu a cidade em setores, de forma que cada comissão era responsável por um setor. Os fiéis, então, passavam de casa em casa angariando recursos para as obras da nova matriz. Dom Hugo arrecadava também junto aos fazendeiros e empresários, pertencentes ou não à Diocese de Guaxupé. Com muito esforço, a nova Catedral de Guaxupé foi sendo erguida por etapas, com ajuda da comunidade e até mesmo do poder público. Um fato histórico a ser mencionado aqui, foi a visita, em 02 de agosto de 1953, do ex-governador de Minas e ex-presidente da República, Juscelino Kubitschek, que veio conferir de perto as obras da nova Sé de Guaxupé.

Finalmente, em 1960, foi inaugurado em Guaxupé um dos maiores templos católicos do Brasil, considerado por muitos, na época, a terceira maior catedral do Brasil e a quinta maior da América Latina. Assim, a imponência da nova Catedral é motivo de orgulho para os guaxupeanos, que a transformaram no cartão-postal oficial de Guaxupé, parada obrigatória para todos aqueles que visitam a cidade. Não há quem chegue a Guaxupé e não se fascine com a majestosa e imponente Catedral de Nossa Senhora das Dores. Ela se tornou parada obrigatória dos turistas que aqui desembarcam, sendo o local mais fotografado da cidade. De todos os cantos da cidade, é possível apreciar a beleza deste templo católico. Hoje, ela ostenta toda sua beleza carregada de detalhes arquitetônicos e de seus simbolismos, ainda desconhecidos por boa parte dos guaxupeanos.

Casa de Pau-a-pique (antiga sede da Fazenda Bom Jardim dos Machados)- Bem imóvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1272, de 08 de dezembro de 2008
Endereço: Estrada Municipal Km 07- Bairro Rural Bom Jardim dos Machados

Tel. (35) 9127-8043

A antiga sede da Fazenda Bom Jardim dos Machados foi construída em 1882, conforme inscrição na parede da fachada principal da mesma. Esse imóvel é uma das poucas edificações centenárias ainda existentes na zona rural do município. Essa casa centenária, construída de pau-a-pique, é exemplo de técnica arquitetônica e construtiva dos oitocentos, e representa a saga dos pioneiros que aqui chegaram para desafiar a mata e plantar café nestas terras. Em outras palavras, a edificação nos remete ao início da colonização da região, notadamente aos tempos do Arraial Dores do Guaxupé. O imóvel sempre serviu de residência para a família Pereira e Rezende, e pela sua importância histórica, foi tombado em 2008 pelo Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Guaxupé.

Taça de 1928 – “PRIMEIRO JOGO INTERNACIONAL REALIZADO EM MINAS”- Bem móvel tombado pelo Decreto Municipal n. 855, de 29 de julho de 1998
Endereço: Museu Municipal – Rua Cel. Antônio Costa, 55, Centro (Tel.: 3559-1086)

Em 1928, a Associação Atlética de Guaxupé (AAG), jogando em casa, venceu o time do Penarõl do Uruguai por 2 x 1. Com a vitória, Guaxupé conquistou esta linda taça toda em prata. Foi o primeiro jogo internacional realizado em Minas Gerais. A Taça conquistada pela A.A.G em 1928, é um Bem Móvel muito apreciado pela população guaxupeana, que é apaixonada por futebol. Sua fruição se dá naturalmente. Atualmente, a Taça encontra-se exposta no salão principal do Museu Histórico e Geográfico Comendador Sebastião de Sá, e recebe visitas de muitos admiradores e curiosos.

A Taça se encontra exposta na Sala de Esportes do Museu Municipal, juntamente com outros troféus conquistados pelos jogadores guaxupeanos, demostrando assim, a força e a tradição do futebol em Guaxupé.

Imaginária de São Miguel Arcanjo - Bem móvel tombado pelo Decreto Municipal n. 1.521, de 04 de setembro de 2012
Endereço: Capela de São Miguel – Sítio São Miguel, Bairro Bebedouro, zona rural, Guaxupé/MG

Com suas características artísticas, a imaginária de São Miguel Arcanjo, trazida de navio da Itália pelo imigrante italiano João Stampone, na primeira metade do século XX, além de ser um marco histórico e cultural, enriquece sobremaneira a paisagem rural do município. Para abrigar a imagem, João Stampone mandou erguer uma capela em 1925. Segundo depoimentos da família Stampone, a Capela de São Miguel foi doada para a Paróquia de Nossa Senhora das Dores entre os anos de 1953 e 1955, a pedido do então pároco, Hermínio Malzone Hugo. Em troca, a paróquia ficaria responsável pela celebração de duas missas anuais, que aconteciam às 07:00 h.

Até o final da década de 1960, além das missas, eram realizados terços e novenas, ocasião na qual a comunidade se reunia para festejar e comemorar sua devoção a São Miguel Arcanjo.

Atualmente, porém, a capela pertence à Paróquia do Rosário, e, pelo menos uma vez por ano, geralmente no dia de São Miguel (29 de setembro), os fiéis se reúnem para reforçar sua devoção. Desta forma, a comunidade mantém viva sua tradição e pode legá-la para as gerações futuras.

A imaginária de São Miguel, portanto, fornece elementos para que possamos compreender um pouco mais da cultura dos imigrantes italianos, que vieram para o Brasil na primeira metade do século passado. Através desse patrimônio artístico, foi possível inserir a cidade de Guaxupé na rota da imigração italiana para o Brasil, bem como realizar um resgate histórico dos usos e costumes desses povos que vieram se somar ao povo brasileiro, influenciando, sobremaneira, a cultura do nosso país. Obs: A imaginária, assim como a capelinha onde ela está abrigada, passaram por uma restauração em 2013 e foram entregues para a comunidade, que já voltou a manifestar sua fé através deste bem religioso e histórico.

Imóvel localizado na Av. Dona Mariana, 11, centro, conhecido como a “Casa vermelha” - tombado pelo Decreto municipal nº 1915, de 21 de novembro de 2017

A “Casa Vermelha”, de propriedade do Sr. Fernando Pasqua, foi construída durante a década de 1930 e 1940 pelo famoso mestre de obra, Luiz Puntel – membro da tradicional família de imigrantes italianos, os Puntel.

Sua importância se deve ao fato de apresentar uma arquitetura original e ter, em suas fachadas, inúmeros elementos artísticos aplicados em argamassa de rara beleza.

O imóvel foi construído para servir de residência para a primeira filha de Luiz Puntel: Tereza Puntel. Durante os mais de 30 anos que morou ali, ela conservou a casa em sua concepção original, realizando apenas trabalhos de manutenção. Em 2002, os herdeiros da família Puntel venderam o bem para Fernando Pasqua, o atual proprietário.

O que mais chama a atenção na “Casa Vermelha” são os detalhes arquitetônicos nas suas fachadas, com destaque para os ornamentos de figuras femininas (camafeu) em argamassa. Além disso, o imóvel tem as suas paredes externas pintadas de vermelho desbotado – o que explica o nome que recebeu da população –, e apresenta ainda outros ornamentos elaborados artesanalmente, numa combinação criativa, na qual se encaixam rostos arnovistas de mulheres, faces bizarras, ave fênix e bustos masculino e feminino. O conjunto desses ornamentos proporciona um agradável efeito estético e simbólico, uma vez que a mensagem que se pretende transmitir é a de que “o homem e a mulher, quando vivem harmoniosamente, sustentam os valores morais de seu lar, e agindo assim, estão sustentando a estrutura da casa”.

Os Bens Inventariados do Município

Bens Inventariados em 2002 – Área 01

1. Prefeitura Municipal – Avenida Conde Ribeiro do Valle nº 68
2. Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Antiga Estação Ferroviária FEPASA – Praça Paulo Carneiro/Avenida Felipe Elias Zeitune
3. Prédio da Câmara Municipal – Rua Antônio Costa nº 55
4. Fachada da Cadeia Pública – Rua Luiz Costa Monteiro nº 89
5. Prédio Jacob Miguel & Cia – Avenida Conde Ribeiro do Valle nº 320
6. Acadêmia de Comércio São José – Rua Coronel Joaquim Costa nº 183
7. Palácio da Justiça – Avenida Dr. João Carlos nº 90

Bens Inventariados em 2007 – Área 01

8. Palácio das Águias – Rua Pereira do Nascimento nº 108
9. Casa dos Elefantes – Rua Pereira do Nascimento nº 102
10. “Casa do Bispo” Residência - Mitra Diocesana - Rua Coronel Joaquim Costa, Nº 235 - Centro
11. Residência Srª. Maria Olímpia Silva Corrêa Cruvinel - Rua Barão de Guaxupé, nº 76 Centro
12. Residência Espólio de Joaquim Pedro Ribeiro - Praça Américo Costa, nº 130 Centro
13. Residência Srª. Maria Ubaldina Costa Ferreira - Praça Américo Costa, nº 165 Centro
14. Catedral Nossa Senhora das Dores – Igreja Matriz Sede de Diocese - Praça Américo Costa, s/n
15. Residência Srª. Helena Costa Monteiro - Praça Américo Costa, nº 79
16. Residência Sr. Paulo Ribeiro do Valle Filho - Praça Américo Costa, nº 41
17. Residência Sr. Francisco Vieira Ribeiro Filho - Praça Américo Costa, nº 19
18. Residência Sr. Francisco Vieira Ribeiro - Praça Américo Costa, nº 05
19. Residência Srª. Tânia Bittar Nehemy Ribeiro - Rua Orbano L. Ribeiro, nº 40
20. Antiga Escola Normal Ginásio Imaculada Conceição Mitra Diocesana de Guaxupé - Rua Francisco Ribeiro do Valle, nº 242
21. Residência Sr. Adriano Ribeiro do Valle - Rua Francisco Ribeiro do Valle, nº 255
22. Residência Srª. Anna Rita Magalhães Ribeiro e outras - Rua Francisco Ribeiro do Valle, nº 332
23. Residência Mitra Diocesana de Guaxupé Paróquia Nossa Senhora das Dores - Praça Américo Costa, nº 146
24. Residência Srª. Nair Ribeiro Ferraz - Rua Barão de Guaxupé, nº 2
25. Residência Srª. Laura Ribeiro de Oliveira - Rua João Alkimin, nº 198
26. Residência Srª. Maria Inês Ribeiro do Valle - Rua João Alkimin, nº 128
27. Residência Sr. Jesuíno Leite Ribeiro - Rua Padre João José, nº 304
28. Residência Sr. Esmerino Joaquim Ribeiro do Valle - Rua Tiradentes, nº 133
29. Residência Srª. Mafalda Calicchio - Avenida Presidente Getúlio Vargas Nº 151

Bens inventariados em 2008 – Área 01

30. Residência Sr. João Carlos Magalhães do Valle - Praça Américo Costa, nº 36
31. Ateliê Terra Artesanato Residência Srª. Laura Ribeiro de Oliveira - Rua Francisco Ribeiro do Valle, nº 174
32. Residência Srª. Aparecida Padilha Furlan - Rua Francisco Ribeiro do Valle, nº 295
33. Residência Sr. João Alfredo Magalhães Serne e outros - Rua Francisco Ribeiro do Valle, nº 302
34. Pousada Santa Rita Sr. Alexandre Batista Corrêa e outro - Praça Américo Costa, nº 231
35. Residência - Praça Américo Costa, nº 179
36. Residência Sr. Geraldo Souza Ribeiro - Rua Pereira do Nascimento, nº 323
37. Escola Municipal Delfim Moreira Antigo Colégio São Luiz - Rua Joaquim Alkimin, nº 221
38. Hotel Central Sr. Pedro Vieira Filho - Rua Coronel Joaquim Costa, nº 48
39. Residência Sr. Pedro Paulino dos Santos - Rua Agenor Alves de Araújo, nº 8
40. Residência Sr. Pedro Paulino dos Santos - Avenida Presidente Getúlio Vargas Nº 217

Bens inventariados em 2009 – Exercício 2010 – Área 01

41. Residência Espólio de João Marques Teixeira - Rua Francisco Ribeiro do Valle, nº 140
42. Agência Central dos Correios - Avenida Doutor João Carlos, nº 128
43. Igreja Presbiteriana - Rua Padre João José, nº 331
44. Residência - Praça Governador Benedito Valadares, nº 4
45. Rádio Clube Guaxupé Sr. Nabih Zaiat - Avenida Conde Ribeiro do Valle, nº 661
46. Residência Sr. José Elias Cury - Praça Governador Benedito Valadares, nº 160
47. Residência Srª. Nadia Cury - Praça Governador Benedito Valadares, nº 186
48. Residência Sadalla Saad - Rua Coronel Sertório Leão, nº 8
49. Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Santo Elias - Rua Aparecida, nº 227

Bens inventariados em 2012

50. Residência Sr. Salim João – Av. Conde Ribeiro do Valle, 273, centro

Bens inventariados em 2013

51. Pensão Sucuri – Av. Conde Ribeiro do Valle, n. 9, centro

Bens inventariados em 2014

52. Castelinho - Praça Américo Costa, n. 88, centro

Bens inventariados em 2018 – Exercício 2020

53. Igreja Nossa Senhora do Rosário – BI – Área 1
54. Capela Nossa Senhora Aparecida – BI – Área 1
55. Capela de Maria Cardosa – BI – Área 3
56. Escola Profissional Nossa Senhora Aparecida - Patrimônio Imaterial/Lugares – Área 3

O Patrimônio Imaterial de Guaxupé

O Bem Registrado do Município

Exposição Nacional (ou Festa das Orquídeas) de Guaxupé – Bem Imaterial registrado pelo Decreto Municipal n. 1.584, de 24 de outubro de 2013
Endereço onde ela ocorre: Fundação Cultural de Guaxupé (Casa da Cultura)

Av. Felipe Elias Zeitune, 400, centro – Guaxupé/MG (Tel.: 3559-1052)

A tradicional Festa das Orquídeas de Guaxupé é uma exposição nacional de orquídeas e plantas ornamentais que ocorre anualmente no mês de julho. É realizada pelo Núcleo de Orquidófilos de Guaxupé, em parceria com a Prefeitura Municipal e com a Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil (CAOB). A Festa das Orquídeas de Guaxupé, portanto, se trata de uma das mais belas e autênticas celebrações que ocorre em nosso município há 62 anos ininterruptos. São mais de seis décadas de tradição e beleza, que enche de orgulho a população da nossa cidade. Uma história que começou com a criação do Núcleo de Orquidófilos em 1951 a partir do grande sonho do Dr. Alberto Carlos Pereira Filho (o popular Dr. Albertinho). Os orquidófilos guaxupeanos, com muita coragem e determinação e reunidos agora no Núcleo, realizaram a I Exposição Nacional de Orquídeas em 1953.

De 1953 em diante, o amor à orquidofilia tomou conta dos corações dos guaxupeanos, a ponto de Guaxupé, antes conhecida como “a terra das abelhas”, passasse a ser chamada de “a terra das orquídeas”.

Debruçando-se um pouco mais sobre a história da Festa das Orquídeas, podemos perceber que o evento atingiu seu auge na década de 1960, quando esbanjava todo o seu glamour. Como exemplo, podemos citar a edição de 1966, quando a Exposição Nacional de Orquídeas ainda era a festa mais esperada do ano, que engrandecia o comércio, trazia para Guaxupé turistas de várias partes do Brasil e até do estrangeiro, fazia desta cidade um ícone da orquidofilia nacional. Assim, a Festa das Orquídeas era muito além de uma simples exposição e premiação de flores. Era algo mágico, que movimentava a cidade e os seus moradores. A região jamais presenciou bailes tão grandiosos quanto aqueles ocorridos nos anos 60. A Esquadrilha da Fumaça enchia os olhos dos guaxupeanos com suas apresentações. Além disso, tinha a colorida presença das fantasias premiadas do famoso carnaval carioca.

Depois de ter atingido seu ápice na década de 1960, a Festa das Orquídeas começou a perder seu prestígio, chegando ao ponto de quase se extinguir no final da década de 1990, com um triste esvaziamento e uma grande dificuldade de envolver e seduzir as novas gerações. Foi necessário que o Núcleo de Orquidófilos de Guaxupé estabelecesse um convênio com a Prefeitura Municipal para que a festa não acabasse. Desde então, o executivo municipal, através de uma subvenção, repassa recursos ao Núcleo para auxiliar na realização da exposição. Segundo os próprios integrantes desta entidade, não fosse a ajuda do poder público, o evento teria se extinguido.

Cabe aqui destacar que, mesmo diante de muitos obstáculos, os orquidófilos guaxupeanos nunca deixaram de realizar a Exposição Nacional de Orquídeas, que ocorre há 62 anos ininterruptos. Um feito histórico que coloca o certame entre os mais antigos e importantes do país, ocupando inclusive, o 2o lugar no ranking de 2013 das melhores exposições nacionais de orquídeas. Rankig este realizado pela CAOB.

As manifestações culturais que estão em processo de registro

1) Natal de Luz

Em 2013, as celebrações natalinas, juntamente com a iluminação e a decoração das ruas, avenidas e praças da cidade, receberam oficialmente o nome de “Natal de Luz de Guaxupé”. Com vasta programação cultural, o evento ocorre anualmente e conta com mais de 80 atrações gratuitas, como peças teatrais; apresentações musicais, de Companhias de Reis e de Pastorinhas; a “Casa do Papai Noel”, com a presença diária do bom velhinho; presépios; árvores gigantes e totalmente iluminadas; playground; além de mais de 5 milhões de microlâmpadas de led que ficam espalhadas por cerca de 20 pontos da cidade.

A chegada do Papai Noel, que acontece sempre no primeiro sábado de dezembro, abre as atividades do Natal de Luz e conta com a presença de, aproximadamente, de 15 mil pessoas na Av. Conde Ribeiro do Valle.

O evento cresce a cada ano e recebe visitantes do sul de Minas, bem como de cidades do leste paulista. Todo esse movimento reflete no comércio local, que nesse período registra um aumento nas vendas de 05 a 30%.

2) Encontro Folclórico – bem inventariado em 2012

Não tem como falar do Encontro Folclórico de Guaxupé sem antes contar um pouco da história de duas associações: a Associação Guaxupeana de Defesa do Folclore, e a Associação em Defesa do Folclore do Sul e Sudoeste de Minas (ADEFOSUL).

A Associação Guaxupeana de Defesa do Folclore foi fundada em 2002 e registrada em 2005. Em 2007, foi reconhecida de Utilidade Pública Municipal e, recentemente, recebeu título de Utilidade Pública Estadual. O Objetivo desta associação é organizar os grupos e revitalizar os Encontros de Companhias de Reis que já não existiam no município de Guaxupé.

Pensando na preservação da história e das crenças do povo de Guaxupé e região, a fundação só foi possível com muito trabalho e esforço incansável por parte do atual Presidente, que bem antes já lutava para que esse sonho se tornasse realidade.

Durante o ano são realizadas de 4 a 5 reuniões, e todos os grupos têm oportunidades de se apresentarem em várias cidades que são convidados. A Diretoria reorganizou os Grupos Folclóricos existentes em número de 35, e hoje encontram-se cadastrados 18 grupos de Companhias de Reis, 01 Grupo de Companhia do Divino Espírito Santo, 02 Grupos de Pastorinhas – todos atuantes. A associação revitalizou a festa da Igreja Sagrada Família de Santos Reis, que acontece no domingo seguinte ao dia 06 de Janeiro. Oportunidade para que todos os grupos de Guaxupé possam se apresentar num tempo maior, de mais ou menos 40 minutos.

A ADEFOSUL, por sua vez, foi fundada em 2006 na cidade de Nova Resende, pela necessidade em desenvolver atividades culturais, sociais e religiosas na área compreendida do Sul e Sudeste de Minas Gerais. Durante reuniões bimestrais, é elaborado um Calendário de Eventos Anuais de 26 cidades da região. As cidades que fazem parte da ADEFOSUL são: Carmo do Rio Claro, Muzambinho, Areado, Alfenas, São Tomás de Aquino, Monte Belo, Nova Resende, Monte Santo de Minas, Pratinha, Bom Jesus da Penha, Cavacos, Alterosa, Guaxupé, Turvolândia, Conceição da Aparecida, Sampaio, Milagres, Carvalhópolis, São Pedro da União, Jacuí, Petúnia, Alpinópolis, Arceburgo, Três Barras, Campos Gerais, Cabo Verde. Todas elas se comprometem em participar dos Encontros promovidos por essa Associação, enviando vários grupos que se revezam o dia todo, com apresentações que duram 15 minutos para as Companhias de Reis, Companhias do Divino Espírito Santo e 20 minutos para Grupos Parafolclóricos (Congadas, Moçambiques, Pastorinhas, Caiapós, Quadrilhas, 100 Tambores).

O primeiro Encontro Folclórico de Guaxupé:

O 1º Encontro Folclórico de Guaxupé foi realizado em 2005, e em 2019 o evento estava na sua 15ª edição. Portanto, são 15 anos ininterruptos de realização.

O passo a passo da realização do evento:

A data para o Encontro é confirmada numa reunião no final do ano, mas já é de conhecimento de todos que o evento ocorre sempre no primeiro domingo de agosto, na Casa da Cultura de Guaxupé.
A abertura do evento se dá com a celebração de uma missa. Em seguida, abre-se para as inscrições dos grupos.
As apresentações dos grupos folclóricos são por ordem de chegada, e de acordo com Cassiano da Silva, é sempre pedido para que os grupos de Guaxupé deixem os grupos das outras cidades se apresentarem primeiro.
Como em todos os anos, um carro da Copasa fornece água durante todo o dia, e uma ambulância fica à disposição para qualquer eventualidade.
Por volta do meio-dia, é oferecido um almoço – que não tem local definido para acontecer, mas que não é no mesmo local do encontro – para os grupos participantes. Em seguida, retomam-se as apresentações na parte da tarde.
Na última apresentação, há queima de fogos, e no encerramento do evento, a diretoria da associação faz uma oração e entrega uma lembrancinha para os presentes.

Grupos ou associações ligados à celebração:

• Associação Guaxupeana de Defesa do Folclore,
• Associação em Defesa do Folclore do Sul e Sudoeste de Minas (ADEFOSUL)
• Os grupos: Congada Centenário; Cem Tambores; Pastorinhas Guaxupé; e as Companhias de Reis Poder do Pai Eterno (Muzambinho), Guiné (São Tomás de Aquino), União Conceição Aparecida (Conceição Aparecida), Arceburguense (Arceburgo), Os Mineiros de Conceição (C. Aparecida), Congada Estrela do Norte (Cavacos), Nossa Senhora de Fátima (Monte Belo), Nova Jerusalém (Guaxupé), Alterosa, Mogiana (Guaxupé), Os Pastores (Bom Jesus da Penha), Carvalhópolis, Divina Luz (Guaxupé), Sagrada Família (Guaxupé), Terno de Congo Nossa Senhora do Rosário (Areado), Esplendor do Divino Espírito Santo, Alpinópolis, Nova Resende, Associação Folclórica Comunitária (Santa Cruz da Prata) e Estrela Guia (Guaxupé)
3) Folia de Reis

As Companhias de Reis do município foram catalogadas e cadastradas no Inventário Folias de Minas, realizado pelo IEPHA/MG. Esse levantamento foi uma etapa necessária para que, em 06 de janeiro de 2017, as “Folias de Minas” fossem reconhecidas como patrimônio cultural do estado. As folias se tornaram uma tradição expressiva no Brasil e, especialmente em Minas Gerais, onde a celebração encontrou terreno fértil, fincando raízes em todo o estado, e se perpetuando ao longo dos séculos. O Iepha/MG mapeou, com a ajuda das prefeituras municipais, mais de 1.800 grupos em atividade no estado. (Fonte: http://www.iepha.mg.gov.br/index.php/noticias-menu/470-circuito-de-presepios-e-lapinhas-promovido-pelo-iepha-mg-chega-a-sua-4-edicao ). Acesso em 22/06/2020.

4) Modo de fazer do Chancliche (queijo tipo árabe)

A receita desse queijo tipo árabe foi trazida pelos imigrantes sírios e libaneses, que vieram para o Brasil no último quartel do século XIX. A cidade de Guaxupé ainda não era emancipada quando recebeu em suas terras as primeiras levas de imigrantes de origem árabe.

Após se estabelecerem na região, os imigrantes sírios e libaneses transmitiram a receita do Chancliche aos seus descendentes, e assim ela foi sendo passada de geração em geração. Atualmente, as novas gerações ainda preservam o modo de fazer desse queijo tipo árabe.

Segundo consta no site da Laticínios President – que produz o Chancliche em escala industrial desde 1989 – “um dos primeiros queijos fabricados pelo homem, o "LABNEH", nasceu no oriente Médio e desembarcou no Brasil no final do século XIX, com os primeiros imigrantes árabes.

O LABNEH é um tipo de queijo árabe originário do norte do Líbano, região de Akkar, particularmente do vilarejo de Rahbeh, feito com leite de vaca ou ovelha. No Oriente, é conhecido como labaneh, labneh, bebneu ou bebenen. É um aperitivo comum, tanto no Líbano como na Síria, normalmente utilizado amassado, misturado à cebola picada e azeite de oliva, acompanhado com aguardente árabe (araq).

Tradicionalmente, a textura e o sabor do labneh variam de acordo com a região, a idade e os temperos utilizados. Existem dois tipos: o mais tradicional, seco, em formato de bolas envolvidas em zattar, tomilho, pimenta calabresa ou menta; e um tipo mais cremoso, moldado em bolas menores e conservado no azeite ou no óleo. O labneh apimentado é normalmente recoberto com uma pimenta de coloração avermelhada, muito comum na Síria”. (Fonte: http://www.chancliche.com.br/institucional.htm. Acesso em 23/06/2020).